Neoplasias do Pulmão
Guia completo baseado na 8ª edição do TNM (2018). Do diagnóstico ao estadiamento, passando pelos grandes desafios clínicos.
| Tipo de Tumor | Frequência | Malignidade | Localização Típica |
|---|---|---|---|
| Hamartoma Benigno | ~2% dos tumores | Nenhuma | Periférico (90%) |
| Tumor Carcinoide Baixa | ~8% dos tumores | Baixa (mas é maligno) | Central / Endobrônquico (90%) |
| Carcinoma Broncogênico Alta | ~90% dos tumores | Alta a muito alta | Periférico ou Central |
- Tumor benigno mais comum do pulmão
- Variedade desorganizada de tecidos: cartilagem, gordura, músculo, epitélio respiratório
- Apresenta-se como nódulo periférico (90% dos casos)
- Mais frequente na 6ª década de vida
- Predomínio no sexo masculino
- Crescimento lento, assintomático
- Mesma faixa etária do CA de pulmão
- Mesma apresentação: nódulo pulmonar periférico
- Localização periférica dificulta biópsia
- Tratamentos completamente diferentes
- O diagnóstico definitivo exige confirmação patológica
O diagnóstico definitivo é sempre citológico ou histológico. Opções para obter material:
Guiada por TC. Risco de pneumotórax. Boa para nódulos periféricos acessíveis.
Via endoscópica com guia de imagem. Menos invasivo para lesões periféricas.
Excepcional. Quando todos os outros métodos falham ou há suspeita elevada de malignidade.
- Paciente jovem, fora da faixa de risco do CA de pulmão
- Nódulo com bordas regulares, sem espículas
- Calcificação central ("pipoca")
- Não tabagista
- Nódulo estável em imagens seriadas (mínimo 2 anos de estabilidade)
Acompanhamento com imagens seriadas se critérios favoráveis presentes (nódulo estável, jovem, sem fatores de risco).
Indicada enucleação cirúrgica. Excelente prognóstico. Em alta suspeita de malignidade a qualquer tamanho, operar.
- Crescimento lento, pouca malignidade
- Acomete pacientes jovens (15–35 anos, raramente >50)
- Sem preferência por sexo
- Localização endobrônquica central (90%)
Tumoração endobrônquica, arredondada, de coloração vinhosa, muito vascularizada, localizada na luz do brônquio. O aspecto é tão característico que muitos endoscopistas fecham o diagnóstico visual.
Decorrem do processo obstrutivo progressivo:
Pode ser normal na fase pré-oclusiva. Quando obstrui totalmente: atelectasia com desvio traqueal, diminuição de espaços intercostais e elevação do hemidiafragma.
Nódulo endobrônquico bem circunscrito, sem infiltrações. Confirma localização central. Excelente para estadiamento.
Exame de eleição. Visualiza diretamente a tumoração vinhosa, arredondada, muito vascularizada. Localização central facilita o acesso.
Ressecção cirúrgica é o tratamento de escolha. Excelente prognóstico dado o crescimento lento e baixa disseminação.
| Tipo Histológico | Frequência | Localização | Características Importantes |
|---|---|---|---|
| Adenocarcinoma + comum hoje | 30–35% | Periférico | Mais comum em não tabagistas. Crescimento mais lento. Maior associação com mutações EGFR/ALK (terapia-alvo). |
| Carcinoma Epidermoide (Escamocelular) | ~30% | Central | Fortemente ligado ao tabagismo. Frequentemente causa obstrução brônquica. Pode cavitar. |
| Carcinoma de Grandes Células Indiferenciado | 10–20% | Periférico | Diagnóstico de exclusão. Prognóstico pior que adeno e escamocelular. |
| Carcinoma de Pequenas Células (CPCP) altamente agressivo | 15–25% | Central | Já metastatizado ao diagnóstico na maioria dos casos. Tratamento exclusivamente clínico (quimio). Não é candidato a cirurgia na maioria. |
Principal fator. 90% dos casos. Fumante passivo: +30% de risco.
Amianto, arsênico, cromo, níquel, radônio.
Mais comum em zonas urbanas vs. rural.
Histórico familiar, doenças pulmonares prévias (fibrose, cicatrizes).
Tumor localizado no ápice pulmonar que invade estruturas da base do pescoço e nervo cervicotorácico.
Compressão da VCS → dificuldade de retorno venoso da cabeça, pescoço e membros superiores. Circulação colateral na parede torácica. Manifestações: edema facial, ingurgitamento jugular, edema de membros superiores, circulação colateral visível.
Sintomas que desaparecem quando o tumor é retirado. Surgem por secreção de substâncias biologicamente ativas pelo tumor.
Osteoartropatia hipertrófica pulmonar. Espessamento do periósteo de grandes articulações. Dor em grandes articulações que cessa após ressecção do tumor.
Mais associadas ao CPCP. Secreção ectópica de ADH ou ACTH.
Quanto mais precoce o diagnóstico, maior a sobrevida. Diagnóstico assintomático = melhor prognóstico.
| Estádio | Agrupamento TNM | Descrição Essencial | Conduta Geral |
|---|---|---|---|
| Oculto | TX N? M? | Células no escarro, não visível por imagem | Vigilância |
| 0 | Tis N0 M0 | Carcinoma in situ | Cirúrgico |
| IA1 | T1a N0 M0 | Nódulo ≤ 1 cm, sem gânglios, sem metástase | Cirúrgico — melhor prognóstico |
| IA2 | T1b N0 M0 | Nódulo >1–2 cm, sem gânglios | Cirúrgico |
| IA3 | T1c N0 M0 | Nódulo >2–3 cm, sem gânglios | Cirúrgico |
| IB | T2a N0 M0 | >3–4 cm ou brônquio principal ou pleura visceral ou pneumonite parcial | Cirúrgico |
| IIA | T1abc–T2ab N1 M0 / T2b N0 M0 | Gânglios hilares ipsilaterais comprometidos, ou tumor >4–5 cm sem gânglios | Cirúrgico |
| IIB | T3 N0 M0 / T1-2 N1 M0 | Tumor >5–7 cm ou invasão pleura parietal/parede/frênico/pericárdio | Cirúrgico |
| IIIA | T1-2 N2 M0 / T3 N1 M0 / T4 N0-1 M0 | Mediastino ipsilateral comprometido, ou T4 sem gânglios/hilares | Cirurgia em casos selecionados |
| IIIB | T1-2 N3 M0 / T3-4 N2 M0 | Gânglios contralaterais ou supraclaviculares | Quimio ± Radio |
| IIIC | T3-4 N3 M0 | T3-4 com N3 | Quimio ± Radio |
| IVA | Qq T Qq N M1a/M1b | Nódulos contralaterais, derrame maligno ou metástase extratorácica única | Paliativo / Sistêmico |
| IVB | Qq T Qq N M1c | Múltiplas metástases extratorácicas | Paliativo |
Diagnóstico — Como Confirmar?
- Escarro (3 amostras; coletar, aspirar, centrifugar)
- Lavado broncoalveolar (via broncoscopia)
- Líquido pleural (se derrame presente)
- Punção aspirativa com agulha fina (PAAF) guiada por TC
- Biópsia transbrônquica (via broncoscopia)
- Biópsia transparietal guiada por TC (para periféricos)
- Biópsia pleural (se derrame)
- Mediastinoscopia (linfonodos mediastinais)
- Toracotomia (último recurso ou alta suspeita)
Úteis tanto para diagnóstico quanto para estadiamento. A broncoscopia alcança tumores centrais (até brônquios lobares). A mediastinoscopia avalia linfonodos mediastinais (N2, N3).
Única modalidade com potencial curativo no CNPC. Ressecção mínima = 1 segmento pulmonar. Na maioria: lobectomia + esvaziamento linfonodal.
Destrói células tumorais e células normais. Indicada em doença avançada, neoadjuvância ou adjuvância. É o tratamento principal do CPCP.
Combinada à quimio em estádios III. Paliativa em doença avançada (metástases, obstrução). Definitiva em pacientes inoperáveis.
Baseada em mutações específicas identificadas por sequenciamento genético. Altamente seletiva — age principalmente na célula tumoral.
- EGFR (erlotinib, gefitinib, osimertinib)
- ALK (crizotinib, alectinib)
- ROS1, BRAF, MET, RET, KRAS
Reativa e "educa" as células de defesa do próprio organismo para reconhecer e destruir células tumorais. Inibidores de checkpoint imunológico (anti-PD-1/PD-L1). Exemplo: pembrolizumab, nivolumab. Seletiva e com menos efeitos colaterais que a quimio.
Clique em cada card para revelar a resposta.