Rastreamento e check-up oncológico baseado em evidências. Navegue pelos módulos para estudar cada tipo de câncer.
5
Rastreamentos validados
704mil
Casos/ano no Brasil (INCA)
40%
Redução mort. c/ rastreamento mama
1 em 4
Casos evitáveis por prevenção
Tipos com rastreamento recomendado
🩷 Câncer de Mama
Mamografia a cada 2 anos · 50–69 anos (MS) · A partir de 40 em alto risco
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💩 Câncer Colorretal
Colonoscopia a cada 10 anos · Início aos 45 anos · FIT anual
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🩵 Câncer de Próstata
PSA ± toque retal · Decisão compartilhada · Início aos 50 (ou 45 em alto risco)
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💜 Colo do Útero
Papanicolau · Início aos 25 anos · HPV-DNA: alternativa mais sensível
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🫁 Câncer de Pulmão
TC de baixa dose · 50–80 anos · Carga tabágica ≥ 20 maços/ano · Diretriz nova (2024 Brasil)
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Pontos essenciais para a prova
✓Rastreamento ≠ diagnóstico precoce: rastreamento é para assintomáticos com critérios populacionais.
💡Marcadores tumorais (CEA, CA-125, PSA isolado) NÃO são exames de rastreamento. São para acompanhamento de casos já tratados.
📌Decisão compartilhada: especialmente em próstata — o rastreamento deve envolver o paciente.
⚠Rastreamento só vale para quem pode ser tratado. Expectativa de vida <10 anos → não rastrear próstata.
🚨Pulmão: diretriz nova no Brasil (2024). TC de baixa dose, NÃO radiografia de tórax.
✓Colorretal: colonoscopia é superior — vê E trata o pólipo na mesma sessão.
Módulo 01
Conceitos-chave
A base teórica que orienta todos os exames de rastreamento oncológico.
Rastreamento
🔍 Busca ativa em assintomáticos
📊 Aplicação sistemática em população de risco
💰 Exige custo-efetividade comprovada
⚙️ Governado por diretrizes populacionais (Ministério da Saúde)
Diagnóstico precoce
🚨 Detecção em estágios iniciais após sintomas
👁️ Reconhecimento de sinais de alerta
⚡ Pronta investigação do sinal/sintoma
🩺 Papel central do médico generalista
Critérios da OMS para um bom exame de rastreamento
1
Doença prevalente com impacto em saúde pública
Deve afetar um número significativo da população.
2
Fase pré-clínica detectável
O teste deve identificar a doença antes dos sintomas.
3
Teste acessível, seguro e confiável
Com sensibilidade e especificidade adequadas.
4
Tratamento eficaz em fases iniciais
Não adianta detectar se não há tratamento disponível.
5
Custo-benefício favorável
O rastreamento precisa ser eficiente para a população como um todo — não apenas para o indivíduo.
Sensibilidade vs. Especificidade
Sensibilidade
Capacidade de detectar todos os doentes. Exame muito sensível → poucos falso-negativos. Bom para "não perder nenhum caso".
Ex.: HPV-DNA tem 90–95% de sensibilidade
Especificidade
Capacidade de confirmar os sadios. Exame muito específico → poucos falso-positivos. Evita alarmes desnecessários.
Ex.: Mamografia tem ~94–97% de especificidade
💡Nenhum exame tem 100% dos dois. O balanço ideal depende do contexto: preferir sensibilidade quando perder um caso tem alto custo; especificidade quando um falso-positivo traz grande prejuízo.
Rastreamento
🩷 Câncer de Mama
O mais comum entre mulheres. Risco de morte reduzido em até 40% com rastreamento adequado.
Diretrizes — Ministério da Saúde
Início do rastreamento
50 anos para população geral (MS/INCA). A partir de 40 anos se recomendação médica individual.
Exame padrão
Mamografia a cada 2 anos.
Sensibilidade: 77–95% · Especificidade: 94–97%
Encerramento
69 anos (MS). Individualizar — não existe limite etário absoluto. Paciente de 92 anos pode tratar!
⚠Prova: se a pergunta for sobre diretriz do Ministério da Saúde → 50 a 69 anos. Se for Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) → pode começar aos 40 anos.
BI-RADS — Classificação da Mamografia
0
Inconclusivo — complementar
1
Normal — repetir em 2 anos
2
Benigno — repetir em 2 anos
3
Provavelmente benigno — 6 meses
4–5
Suspeito — biópsia indicada
6
Diagnóstico confirmado — tto.
💡BI-RADS 6 é para pacientes que JÁ têm diagnóstico histológico confirmado e estão sendo acompanhadas durante tratamento (ex.: neo-adjuvância).
Métodos — quando usar cada um
📸
Mamografia
Padrão-ouro. 1ª escolha para todas acima de 40–50. Mais eficaz em mamas gordurosas (pós-menopausa).
🔊
Ultrassonografia
Complemento à mamografia em mamas densas ou pacientes jovens. Não substitui a mamografia.
🧲
Ressonância Magnética
Alto risco genético (BRCA1/2), próteses mamárias ou histórico familiar importante. Muito sensível — mais falso-positivos.
✓Autoexame: não é mais recomendado como rastreamento. Serve como autoconhecimento — se a paciente notar mudança, procura o médico. A responsabilidade do rastreamento é da mamografia.
Rastreamento
💩 Câncer Colorretal
2º mais incidente em homens e mulheres. Adenoma → carcinoma: uma janela de intervenção real.
⭐Ponto-chave: a colonoscopia detecta E remove o pólipo na mesma sessão — prevenção + diagnóstico + tratamento em um único exame.
Início e métodos
Quando começar
45 anos para toda a população geral (homens e mulheres).
Alto risco
Histórico familiar de 1º grau → iniciar 15 anos antes do diagnóstico familiar (mín. 40 anos).
Suspender
75–80 anos, conforme comorbidades e risco individual.
Periodicidade conforme achado
Achado na colonoscopia
Próximo exame
Justificativa
Normal (sem pólipo)
10 anos
Baixo risco de progressão
Adenoma de baixo grau
5 anos
Potencial de transformação maligna
Adenoma de alto grau
2–3 anos
Alto risco — vigilância estreita
Sangue oculto / DNA fecal
1–3 anos
Exames complementares, não substituem colonoscopia
Quando usar sangue oculto (FIT) ou DNA fecal
Indicações
Paciente refratário à colonoscopia
Sem acesso imediato ao exame endoscópico
Triagem antes de encaminhar
FIT: anual · DNA fecal: a cada 3 anos
Limitações importantes
Maior sensibilidade, menor especificidade
Não substituem a colonoscopia
Resultado alterado → colonoscopia obrigatória
Não realizam tratamento simultâneo
Fatores de alto risco
Hereditário
HNPCC (Lynch) e FAP — rastreamento intensivo desde a infância/adolescência.
História familiar
CCR ou adenoma em familiar de 1º grau → iniciar 15 anos antes do diagnóstico do familiar.
DII
Doença inflamatória intestinal (Crohn, RCU) → colonoscopia a cada 1–2 anos após 8 anos de doença.
Rastreamento
🩵 Câncer de Próstata
O mais prevalente em homens. O dilema: cânceres clinicamente significativos vs. lesões indolentes que nunca causarão sintomas.
⚖️Controvérsia central: autopsia em homens acima de 80 anos quase sempre revela células cancerosas na próstata — mas isso raramente determina a causa da morte. Rastrear ou não?
Diretrizes
Risco padrão → 50 anos
📋 PSA ± toque retal a cada 1–2 anos
🤝 Decisão compartilhada obrigatória
📊 Discutir riscos (sobrediagnóstico) e benefícios
Alto risco → 45 anos
⚫ Raça negra (maior incidência e agressividade)
👨👩👦 Histórico familiar de 1º grau
🧬 Mutação BRCA2 conhecida
PSA — como interpretar
Situação
Conduta
PSA elevado isolado
Não necessariamente câncer! Pode ser HPB, prostatite. Avaliar densidade do PSA e livre/total.
PSA em ascensão (velocidade)
Investigar com biópsia mesmo com valores "normais"
PSA livre/total < 10–15%
Maior probabilidade de malignidade → biópsia
PSA muito elevado
Biópsia indicada — excluir prostatite antes se sintomas
Quando NÃO rastrear
Expectativa de vida < 10 anos
Se o tratamento não vai impactar a sobrevida, o rastreamento causa mais dano (ansiedade, biópsias, efeitos colaterais) que benefício.
Comorbidades limitantes
Paciente que não seria elegível a tratamento cirúrgico ou radioterápico. Rastrear sem possibilidade de tratar não é ético.
💡Base do tratamento: hormônioterapia (bloqueio androgênico). Diferente da maioria dos cânceres — isso permite tratar mesmo em estágios avançados com qualidade de vida razoável.
Rastreamento
💜 Câncer do Colo do Útero
Altamente prevenível. 90% dos casos são evitáveis com rastreamento + vacina HPV. 4º tipo mais comum em mulheres no Brasil.
Diretrizes (FEBRASGO / INCA)
Início
25 anos (mulheres sexualmente ativas)
Periodicidade
Anual até 2 negativos consecutivos → a cada 3 anos
Método
Papanicolau (citologia cérvico-vaginal) padrão
Encerramento
64 anos com exames negativos prévios
Papanicolau vs. HPV-DNA
Teste
Sensibilidade
Especificidade
Intervalo
Vantagem
Citologia convencional (Papanicolau)
55–65%
85–90%
3 anos
Disponível em toda a rede pública
HPV-DNA
90–95%
70–75%
5 anos
Detecta DNA viral antes da lesão aparecer
✓HPV-DNA disponível desde 2024–2025 no SUS. Mesma coleta, mesma especuloscopia — a diferença é na análise laboratorial. Permite identificar pacientes de alto risco e individualizar periodicidade.
Vacinação HPV — prevenção primária
Vacina HPV (SUS)
👦👧 Meninas e meninos de 9 a 14 anos
💉 Esquema: 2 doses (0 e 6 meses)
🛡️ Reduz até 90% o risco de câncer cervical
➕ Também protege: orofaringe, ânus, vulva, pênis
Vacina Hepatite B (SUS)
🌍 Universal — todos os recém-nascidos
💉 Esquema: 3 doses (0, 1 e 6 meses)
🛡️ Previne carcinoma hepatocelular (CHC)
⚡ Uma das vacinas mais efetivas contra câncer
📌Vacina ≠ rastreamento: quem tomou a vacina ainda precisa fazer o Papanicolau. A vacina não cobre todos os subtipos do HPV.
Rastreamento
🫁 Câncer de Pulmão
1º em mortalidade no Brasil. Diagnóstico em estágio I → sobrevida 70–90% em 5 anos. Estágio IV → menos de 10%. Diretriz brasileira lançada em 2024.
Critérios para rastreamento (Brasil 2024)
Idade: 50 a 80 anos
Carga tabágica: ≥ 20 maços/ano
Tabagismo atual OU cessado há ≤ 15 anos
TC de baixa dose · anual
Sobrevida por estágio
Estágio I
70–90%
Estágio II–III
30–50%
Estágio IV
< 10%
Como calcular carga tabágica (maços/ano)
Fórmula
Maços/ano = (cigarros/dia ÷ 20) × anos fumando
Exemplo: fumou 1 maço/dia por 20 anos = 20 maços/ano ✓
Fumou ½ maço/dia por 40 anos = (0,5 × 40) = 20 maços/ano ✓
💡Use calculadoras específicas disponíveis online. Intensidade E duração são igualmente importantes.
TC de baixa dose — o que é diferente
Por que baixa dose?
Dose de radiação similar a um Rx de tórax
Pode ser feito anualmente sem risco acumulado significativo
A TC convencional tem radiação muito maior — não usar para rastreamento
Laudo específico — Lung-RADS
Nódulos são classificados (0–4) como no BI-RADS mamário
Determina periodidade e necessidade de biópsia
"Todo mundo fala a mesma língua"
🚨NÃO use radiografia de tórax para rastreamento de câncer de pulmão. Não tem sensibilidade adequada. Apenas TC de baixa dose tem evidência para rastreamento.
⚠Vape e cigarros eletrônicos: ainda não estão incluídos no cálculo de carga tabágica por falta de dados — mas provavelmente causam risco similar. Atentar para esse grupo.
Rastreamento
🌿 Outros tumores
Tipos sem rastreamento populacional recomendado — e o que fazer na prática.
Erradicação de H. pylori como prevenção. Endoscopia apenas em sintomáticos ou alto risco.
🔮 Ovário
Não recomendado
Considerar apenas em mutação BRCA1/2 ou forte histórico familiar
🫘 Pâncreas
Não recomendado
Apenas em síndromes hereditárias específicas
🔵 Tireoide
Não recomendado
Palpar na consulta; ultrassom só se nódulo palpável ou suspeita clínica
Câncer de Pele — ABCDE
A
Assimetria
Uma metade diferente da outra
B
Bordas irregulares
Contornos mal definidos, recortados
C
Cor variada
Áreas escuras, claras, avermelhadas na mesma lesão
D
Diâmetro > 6mm
Maior que uma borracha de lápis
E
Evolução
Mudança de tamanho, cor ou forma ao longo do tempo
Câncer Gástrico — H. pylori
💡Erradicação de H. pylori é a principal estratégia de prevenção primária no Brasil. Não há evidência para rastreamento endoscópico populacional (diferente de Japão/Coreia/China onde a prevalência justifica).
Prática clínica
Check-up oncológico na prática
O que pedir, quando pedir, e o que NUNCA pedir — guiado por evidência, não por ansiedade.
O que É o check-up oncológico
Avaliação estruturada
Baseada em risco e evidência — não em "completude" ou ansiedade do paciente.
Individualizado
Conforme perfil do paciente: história clínica, exame físico, fatores de risco, idade, sexo.
Exames com eficácia comprovada
Priorizar apenas os rastreamentos com evidência robusta para aquela faixa etária e perfil.
O que NÃO É check-up oncológico
🚫 Marcadores tumorais em massa
CEA, CA-125, CA 19-9, AFP — sem diagnóstico prévio confirmado, são inúteis como rastreamento.
🚫 Exames sem base científica
PET-CT, TC corpo inteiro, ressonância full-body — sem critério clínico, causam mais dano que benefício.
🚫 "Caça ao câncer"
Pedir tudo sem avaliação clínica prévia. Gera ansiedade, falso-positivos e procedimentos desnecessários.
Marcadores tumorais — uso correto
Marcador
Uso apropriado
NÃO usar para
CEA
Monitoramento de câncer colorretal tratado
Rastreamento primário
CA-125
Acompanhamento de câncer de ovário em tratamento
Rastreamento em população geral
PSA
Rastreamento apenas com decisão compartilhada
Rotina sem avaliação clínica
CA 19-9
Monitoramento de câncer pancreático tratado
Diagnóstico ou rastreamento
AFP
Monitoramento de CHC e tumor de células germinativas
Rastreamento em população geral
⚠Marcadores são bandeiras, não diagnóstico. Um CA-125 elevado não "confirma" câncer de ovário — pode ser endometriose, DIP, etc. O diagnóstico só se faz com biópsia e análise histológica.
Fluxo prático — paciente de 50 anos chega ao consultório
Mulher, 50 anos, assintomática
Mamografia bienal
+
Papanicolau
+
Colonoscopia (se ≥45 anos e nunca fez)
Se tabagista ≥20 maços/ano → TC baixa dose
Homem, 52 anos, assintomático
Discutir PSA (decisão compartilhada)
+
Colonoscopia se nunca fez
Se tabagista ≥20 maços/ano → TC baixa dose
Prevenção primária — não esquecer!
💪 Atividade física
150 min/semana de atividade moderada. Reduz risco de cólon, mama e endométrio.
🥗 Alimentação
Frutas, vegetais, fibras. Reduzir ultraprocessados e carnes vermelhas em excesso.
🚭 Tabagismo
Responsável por 30% dos cânceres. Cessar o tabagismo é a intervenção com maior impacto.
Avaliação
Quiz de Revisão
10 questões baseadas nos pontos mais cobrados em provas sobre rastreamento oncológico.